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A democracia funciona?

Postado por em 31 março 2012 - Categoria: Pense Nisso

Algumas ideias se encontram tão enraizadas em nossa sociedade, que nem sequer paramos para refletir sobre elas. A democracia é uma delas. Como todos sabemos, a democracia é o governo da maioria. Ou seja, o candidato que obtém mais votos da população como um todo, governa.

Todos falam da ideia como a forma de governo mais perfeita, reverenciam a voz do povo como a voz de Deus. Mas quase todos se encontram descontentes com os resultados práticos da democracia. Ao nos depararmos com as escolhas feitas pela maioria, percebemos que não são as melhores escolhas. Isso acontece porque quando uma pessoa vota, ela escolhe o candidato que atenderá seus interesses pessoais, mesquinhos e a curtíssimo prazo, ao invés de pensar no interesse do todo. Isso acontece tanto com a massa, que vota no candidato que lhe ajudará a conseguir um emprego, por exemplo, quanto com a elite, que vota no candidato que diminuirá os impostos de sua classe, e por aí vai. E mesmo quando temos a preocupação com o todo, não temos visão nem experiência para compreender quais seriam as melhores escolhas.

Para entender melhor, avaliemos o conceito da democracia aplicado em outros contextos. Uma empresa de grande sucesso funcionaria como democracia? Suponhamos que a maioria dos funcionários decidisse as regras da empresa. Estes instituiriam regras que os fariam trabalhar e produzir cada vez menos e ganhassem cada vez mais, ou elegeriam um candidato para fazê-lo, pois estes são seus interesses. Mas isso não favoreceria a empresa como um todo, nem a eles mesmos, pois um belo dia a empresa iria falir e todos acabariam desempregados.

E no contexto familiar, a democracia funciona? Imaginemos uma família de pai, mãe, e três filhos. Como os filhos estão em maioria, numa democracia eles teriam o poder de decisão. Quase com certeza será uma família que se alimenta mal, não cumpre suas obrigações, sem fibra moral, e cheia de outros maus hábitos. Uma situação ruim tanto para os pais, quanto para os filhos.

Esses simples exemplos deixam claro que o que a maioria considera que seja o melhor pra ela, não necessariamente, aliás, quase nunca, será realmente bom para elas. E se não sabemos o que é melhor pra nós mesmos num contexto mais amplo, como pode ser esperada de nós a decisão do que é melhor para um país inteiro?

Vale a reflexão…

A confortável invisibilidade

Postado por em 10 março 2012 - Categoria: Pense Nisso

Platão nos conta que havia em um reino um pastor chamado Giges. Ele era admirado por seu bom trabalho e suas boas ações perante as pessoas com as quais convivia. Um dia, enquanto pastoreava, ele encontrou um anel de ouro dentro de uma fenda. Ao colocar o anel, descobriu que o objeto lhe dava o poder de se tornar invisível. A partir de então, Giges começou a cometer atos imorais e criminosos, pois ninguém saberia que seria ele o culpado por tais atos.

Quando estamos dirigindo, adquirimos certo grau de invisibilidade, pois ninguém vê nosso rosto nem nos identifica pelo nome ou profissão. Por isso, muitas vezes agimos de forma agressiva e egocêntrica, diferente da forma como agimos em nosso trabalho, contexto familiar ou até andando a pé pela rua. E quanto à internet? Ela é uma ferramenta que permite que nos comuniquemos anonimamente. Muitas vezes fazemos uso dela para expressar facetas extremamente críticas e instintivas de nossa personalidade.

Será que somos como Giges? Fazemos o que não é certo quando sabemos que não iremos sofrer com as consequências dos nossos atos? Se sim, então somos normalmente corretos e morais somente por medo de repreensão e/ou por vaidade. E não é a toa que agimos dessa forma, pois desde crianças somos condicionados a nos comportarmos da maneira correta por medo de uma punição física ou verbal ou para poder usufruir de uma sobremesa ou de um brinquedo.

Se nossas motivações são o medo e/ou o desejo de aceitação, então não estamos sendo verdadeiramente morais, e sim sendo controlados pelos nossos instintos animais. Afinal, o que nos torna humanos não é a tecnologia avançada, nem nossas formas complexas de comunicação, e sim nossos valores e princípios éticos. Devemos ser corretos por fidelidade aos nossos princípios, não por medo das consequências ou por uma recompensa.

Esse vídeo do Pateta ilustra perfeitamente essa idéia.

Vale a reflexão…

Começando pequeno

Postado por em 12 fevereiro 2012 - Categoria: Pense Nisso

Na última coluna falei sobre a individualidade, ou seja, a vivência do ser integrado a algo maior, como uma célula em um corpo. Quando a gente percebe que por mais que gostaria de viver a individualidade, sempre viveu o individualismo e não saberia nem por onde começar a viver de outra forma, dá um desânimo incrível. Como eu, como ínfima célula que sou, posso viver pensando no bem humanidade? Isso significaria abrir mão de todo o meu tempo, dos meus mínimos desejos? CALMA! Não é bem assim… Pensando que o sacrifício total da nossa personalidade é a única forma de viver para o todo, cada um de nós vai perceber que isso é uma tarefa inviável e desistir de qualquer mudança.

Voltemos à metáfora da célula no corpo. Uma célula não é responsável sozinha pelo bem do corpo inteiro. Uma célula especializada tem que fazer a sua parte em seu ambiente restrito, trabalhando em conjunto com as células ao seu redor. Uma célula do estômago não deve se preocupar em contribuir com o funcionamento saudável do pulmão. Seu trabalho contribuindo para aquela pequena parte do estômago onde ela nasceu já é suficiente. E é só o que o corpo espera dela.

Em nossas vidas, devemos nos preocupar em contribuir primeiramente com o bem-estar de nosso próprio ambiente. Nossa família, nosso ambiente de trabalho, nossos amigos. Se, por exemplo, posso ajudar minha irmã mais nova a se relacionar melhor com seus colegas de escola, ou ajudar meu marido a lidar melhor com seu chefe, e assim por diante, já estou contribuindo para o bem do todo. E à medida que conseguirmos nos harmonizar com nosso ambiente mais íntimo, podemos ampliar nosso escopo de responsabilidade gradativamente.

Mas por outro lado, se não consigo nem me prestar a contribuir para o bem das pessoas mais próximas de mim, como posso me sentir responsável pelo bem da minha cidade, do meu país ou da humanidade como um todo? Podemos começar pequeno, mas devemos começar.

Vale a reflexão…

Individualidade x Individualismo

Postado por em 24 janeiro 2012 - Categoria: Pense Nisso

Muitos confundem individualidade e individualismo, pois os dois dizem respeito ao comportamento do indivíduo no mundo. Mas esses conceitos se tratam de ideias muito diferentes, pode-se até dizer opostas.

O individualismo é quando alguém se considera o centro do universo. Tudo que existe ou acontece no mundo é avaliado através da lente de seu interesse e opinião. Segundo esse ponto de vista, um objeto só é bom se me serve algum propósito prático ou psicológico. Além disso, todas as suas ações se prestam para seu próprio benefício, direta ou indiretamente. Ou seja, não é fora do escopo de uma pessoa assim ser simpático ou ajudar os outros: mas ele o faz para receber simpatia e favores em retorno.

A individualidade é quando o indivíduo se percebe como parte de um todo, e vive de modo a contribuir para o bem desse todo. Cada indivíduo é único e irrepetível, com o potencial de contribuir para o mundo de um jeito particular àquela pessoa e seu contexto, sendo um elemento chave em sua família ou ambiente de trabalho de uma forma que nenhum outro poderia.

Para entender melhor poderíamos imaginar a humanidade como um grande corpo vivo. Cada ser humano é como uma célula nesse corpo que deve cumprir seu papel específico para o bom funcionamento e crescimento desse corpo. A cada ano, várias células morrem e várias nascem, mas enquanto todas cumprem seu papel, o corpo se mantém íntegro e saudável. E quando o corpo está saudável, as células estão saudáveis. No entanto, quando a célula começa a trabalhar para seu próprio benefício, e não para o todo, ela se torna um câncer.

O que percebo hoje no mundo é esse grande corpo humano sofrendo uma metástase. Estamos quase todos vivendo em função de nosso próprio benefício e prazer e esquecendo que temos que viver em sociedade, ou não vivemos. Quando nos integramos ao todo, trabalhar para o bem comum também é trabalhar para o próprio bem. Convido você a avaliar seu comportamento cotidiano: suas decisões são tomadas pensando no seu próprio bem ou no bem comum?

Vale a reflexão…

Conhecimento x Sabedoria

Postado por em 14 dezembro 2011 - Categoria: Pense Nisso

Em um mundo com ocupações cada vez mais especializadas, e com os meios de comunicação tão bem desenvolvidos, o conhecimento acaba sendo o conceito mais valorizado na sociedade. Mas pra que serve tanto conhecimento se não sabemos o que queremos conquistar? Do que adianta uma pessoa ter pós-doutorado em medicina, saber todas as funções, ligações nervosas e desdobramentos de reações na hipófise do cérebro humano, se ela não consegue se relacionar bem com seus colegas de trabalho ou com a sua família? Do que adianta eu ter tecnologias pra falar com uma pessoa do outro lado do mundo, se tudo que eu tenho pra dizer são futilidades ou crueldades?

Há de se perceber que mais importante do que o conhecimento é a sabedoria. E o que é sabedoria? É saber retirar de uma experiência pequena, um conceito maior que se pode aplicar a várias outras situações. Vamos a algum exemplo que nos ajude a compreender melhor:

Ao tocar um violão, se as cordas estão frouxas demais, as notas não soam afinadas. O mesmo acontece se as cordas estiverem tensas demais. Para um som harmonioso, é necessário tensioná-las em sua justa medida. Esse conceito de equilíbrio poderia ser usado em diversas situações: na alimentação, no exercício físico, na criação dos filhos, no trato com funcionários, e assim por diante. Ou seja, sabedoria, é aplicação de conhecimento. E pra quem curtiu essa idéia recomendo o livro Siddharta, de Herman Hesse.

Como disse o filósofo Jorge Angel Livraga, “o importante não é saber muitas coisas, e sim viver algumas.”

Vale a reflexão…

É possível mudar o mundo?

Postado por em 18 novembro 2011 - Categoria: Pense Nisso

Hoje em dia o mundo está cheio de idealistas sem rumo. Pessoas que querem melhorar o mundo, contribuir para a sociedade, mas não entendem o seu papel no todo, não sabem por onde começar. Muitas vezes se vinculam a campanhas fracas e vazias, porque sentem no seu íntimo uma necessidade de contribuir para uma causa justa, de fazer parte de algo maior que eles mesmos. Quando se deparam com a futilidade de suas causas ou com a ineficiência de seus esforços acabam se frustrando e muitas vezes desistem da possibilidade de construir um mundo melhor.

Isso porque a verdadeira transformação, não é aquela que se faz em passeatas e campanhas. A verdadeira transformação é a que acontece no interior do ser humano. Uma mudança moral, baseada em valores e virtudes humanas. Quando há uma transformação interior, as mudanças externas seguem como consequências naturais. Uma reflexão a respeito de uma situação ou problema pode alterar a forma como você os encara. Assim, ao mudar um elemento interno a você, a situação já muda consequentemente porque você mudou sua forma de encará-la.

Desde pequena sempre tive muita angústia ao me deparar com pessoas em situação social precária. Me sentia culpada por ter tudo que eu sempre precisei e impotente de não poder fazer nada pra ajudar. Recentemente, assisti a um documentário – Lixo Extraordinário – sobre o trabalho de um artista plástico brasileiro – Vik Muniz – com os catadores de um lixão. O filme mostrou várias pessoas que me tocaram profundamente. Por exemplo, uma senhora que acordava todos os dias para ir ao aterro com suas panelas e ferramentas, e cozinhava para os catadores que ali trabalhavam. Ela diz: “pode estar chovendo que eu acendo o fogo e faço a comida. Eu não deixo ninguém passar fome”.

Eu poderia me sentir mal com a pobreza material daquelas pessoas, que vivem um cotidiano sofrido e quase sem possibilidade de melhoria de vida. Mas pense bem: você acordaria todos os dias de madrugada pra cozinhar com utensílios precários, no sol quente ou na chuva, em meio a pilhas de lixo, tudo isso pra contribuir para o bem-estar de outras pessoas? Eu não. A partir dessa reflexão, percebi essa cena de uma maneira diferente. Me emocionei com o valor e a generosidade daquela senhora. Assim, a partir de uma reflexão a respeito das minhas debilidades, passei de um sentimento de pena que me causava mal-estar e sensação de impotência a um profundo sentimento de admiração que me inspira a ser uma pessoa melhor. O mundo mudou pra mim.

Quer mudar o mundo? Mude a si mesmo.

Resiliência

Postado por em 2 novembro 2011 - Categoria: Pense Nisso

Existe uma historia que conta de um cavalo que cai acidentalmente em um buraco fundo perto de um vilarejo. Algumas pessoas percebem o acontecido e se reúnem ao redor do buraco para observar a situação. O cavalo pulava e relinchava, seus movimentos clamando por liberdade. Após perceber que não haveria jeito de retirar o cavalo de lá, as pessoas resolvem enterrá-lo no buraco para que ele não sofresse mais. Então começam a jogar terra no cavalo. Quando mais jogavam terra nele, mais ele protestava, pulava e pisoteava. E as pessoas continuam a jogar terra. Enquanto ele pisoteava, a terra que era jogada nele se firmava no solo e ia fazendo com que o chão do buraco fosse se elevando. Tanta terra jogaram que o chão do buraco se aproximou à superfície e o cavalo conseguiu sair. Se ele tivesse ficado parado e se conformasse com a terra que era arremessada sobre ele, teria sido enterrado.

Como será que o conteúdo simbólico desta história pode nos ajudar em nossas vidas? A vida muita vezes nos coloca em buracos e joga terra em nós. Ou seja, nos coloca em situações difíceis, e coloca em nosso caminho pessoas que só nos criticam ou que não acreditam em nossa capacidade. O que normalmente acontece é que nos sentimos perseguidos pela vida e pelas pessoas, nos sentimos incapazes de superar as dificuldades que enfrentamos. Mas são justamente as dificuldades que nos impulsionam a crescer, pois nos dão a oportunidade de aprender com cada situação que nos é colocada e nos tornar seres humanos melhores e mais bem preparados. Quem já não sentiu, após ouvir uma crítica ou comentário negativo sobre nós, uma vontade ainda maior de provar que somos mais, que somos melhores? Essa é nossa voz interior nos orientando a fazer como o cavalo da história: usar justamente o que poderia nos destruir para alimentar a vontade de nos libertar. “Ah é? Você vai jogar terra em mim? Isso só vai me fazer querer sair daqui ainda mais!” E é essa atitude que nos liberta. Nos liberta das críticas, nos faz superar qualquer dificuldade que possa surgir.

O personagem do Christopher Walken no filme “Prenda-me Se For Capaz” conta uma história parecida de dois ratinhos que caem dentro de um pote de creme de leite. O primeiro rapidamente desiste e se afoga. O segundo não desiste e tanto esperneia que o creme vira manteiga e ele consegue sair do pote:

Como disse o poeta Fernando Pessoa: “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

Vale a reflexão…

A Lei do Karma

Postado por em 17 outubro 2011 - Categoria: Pense Nisso

Muitos tem dificuldade de entender o conceito de karma. Pra quem não sabe, o karma é um conceito do hinduísmo indiano, que se refere a uma lei universal de causa e efeito. Isso normalmente é interpretado da seguinte maneira: se você faz algo de ruim, será punido com um acontecimento ruim. A dificuldade que surge aí é a seguinte: quem ou o quê está te punindo? Tem alguém ou algo nos vigiando, esperando que a gente erre pra nos punir? E se a gente tentasse pensar na espiritualidade ou na divindade não como uma criatura personificada – aquele ente barbado entre as nuvens – mas como uma lei inexorável, assim como as leis da física?

A terceira lei de Newton diz o seguinte: a toda ação há sempre uma reação de igual intensidade em direção oposta. Ou seja, se você empurra a parede com uma força X, a parede exerce uma força equivalente a X em você. Acho que todo mundo aprendeu isso na aula de física, certo? Mas você nunca imaginou um ser sobrenatural atuando através da parede, te empurrando pra te punir por estar empurrando a parede. É obvio que não. É um acontecimento físico natural. Da mesma forma atua o karma. É uma lei que funciona num plano sutil, pra te devolver toda a energia que você projeta no mundo, seja ela positiva ou negativa.

Ela pode funcionar a curto prazo: se está mexendo com uma faca e está desatento, irá se cortar na hora. Se é carinhoso com alguém, receberá um abraço ou um sorriso no mesmo momento. Ou pode funcionar a longo prazo: você não se dedica ao seu trabalho cotidiano, não conquistará posições de destaque profissional. Se você ajuda as pessoas ao seu redor sempre que percebe a necessidade, quando estiver precisando de apoio terá muitas pessoas ao seu redor dispostas a ajudar. Não é uma questão de crença, de fé. É um fato.

E o mais interessante é que essa lei não precisa ser vista como um fardo. Pode ser uma ferramenta muito eficiente em nos mostrar o que estamos fazendo de errado ou de certo na vida. E aí cabe pensar sobre nós mesmos: nossas ações refletem o que gostaríamos de receber do mundo? Qual força estamos projetando nas pessoas e no mundo? É muito fácil achar que a vida nos deve alguma coisa, que deveríamos receber tudo o que achamos de melhor no mundo. Mas será que estamos fazendo nossa parte?

Vale a reflexão…

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